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Gestão de risco climático e de safra reforça auditoria de lastro em Fiagros, avalia Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM

Elisa Bellvani
Elisa Bellvani 25 de setembro de 2026
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8 Min de leitura
ID CTVM
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Fiagro-FIDC financia cadeias produtivas do agronegócio a partir de direitos creditórios sujeitos a variáveis como frustração de safra e oscilação de preços de commodities, o que exige camada adicional de monitoramento de risco por parte do administrador fiduciário

Contents
Frustração de safra altera diretamente a capacidade de pagamento do produtorPreço de commodities influencia tanto a originação quanto a liquidação dos recebíveisDiversificação geográfica e por cultura reduz exposição a um único evento climáticoMonitoramento contínuo complementa a auditoria de lastro tradicionalPerspectivas para a gestão de risco no crédito estruturado do agronegócio

A ID CTVM aplica processos específicos de auditoria de risco a carteiras de Fiagro-FIDC, fundos que financiam cadeias produtivas do agronegócio a partir de direitos creditórios sujeitos a variáveis que dificilmente aparecem em outras classes de crédito estruturado, como frustração de safra e oscilação de preços de commodities agrícolas. Criado pela Lei 14.130, de 2021, e hoje enquadrado no arcabouço da Resolução CVM 175, o Fiagro reúne diferentes modalidades de veículo, e a análise de risco aplicada pela ID CTVM a um Fiagro-FIDC leva em conta fatores que vão muito além do risco de crédito tradicional associado a um devedor corporativo.

Frustração de safra altera diretamente a capacidade de pagamento do produtor

Diferentemente de um recebível originado por uma empresa industrial ou de serviços, cujo fluxo de caixa costuma ter comportamento mais previsível ao longo do ano, um direito creditório originado no agronegócio depende, em grande medida, do resultado de uma safra específica. Um evento climático adverso, como uma seca prolongada, geadas fora de época ou chuvas excessivas no período de colheita, pode comprometer de forma abrupta a capacidade de pagamento de um produtor ou de uma cooperativa que originou o recebível, ainda que o histórico de crédito daquele mesmo devedor fosse, até então, consistente.

Preço de commodities influencia tanto a originação quanto a liquidação dos recebíveis

Além do risco climático, a oscilação do preço de commodities agrícolas no mercado internacional afeta diretamente a capacidade de pagamento de operações estruturadas com lastro no agronegócio, já que boa parte dos recebíveis financiados por um Fiagro-FIDC está atrelada, direta ou indiretamente, ao valor de mercado de produtos como soja, milho, café ou algodão no momento da comercialização da safra. Uma queda expressiva de preços entre o momento da originação do recebível e o momento previsto para sua liquidação pode reduzir a margem do produtor e, em casos mais extremos, comprometer sua capacidade de honrar o compromisso assumido junto ao fundo.

Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, essa dupla exposição a risco climático e a risco de preço exige um processo de auditoria de lastro adaptado à realidade específica do agronegócio:

“Um Fiagro-FIDC não pode ser analisado com as mesmas ferramentas de risco aplicadas a um FIDC tradicional de recebíveis comerciais. É preciso incorporar, à análise de crédito, variáveis como a região produtora, a cultura financiada, o histórico climático da safra em curso e a exposição do devedor à variação de preço da commodity envolvida. Sem esse olhar específico, o administrador fiduciário corre o risco de subestimar um tipo de risco que é estrutural à atividade agrícola”, afirma o executivo.

Diversificação geográfica e por cultura reduz exposição a um único evento climático

Assim como ocorre em outras modalidades de crédito estruturado, a diversificação é uma das principais ferramentas de mitigação desse tipo de risco. Uma carteira de Fiagro-FIDC concentrada em uma única região produtora ou em uma única cultura agrícola fica mais exposta a um evento climático localizado do que uma carteira pulverizada entre diferentes regiões do país e diferentes tipos de cultura, já que a probabilidade de um mesmo evento adverso afetar simultaneamente múltiplas regiões e culturas distintas é consideravelmente menor. Gestoras especializadas em crédito estruturado do agronegócio costumam incorporar essa lógica de diversificação já na fase de originação dos recebíveis que comporão a carteira do fundo.

Monitoramento contínuo complementa a auditoria de lastro tradicional

Para além da análise realizada no momento da aquisição de cada direito creditório, o acompanhamento de indicadores climáticos e de preços de commodities ao longo de toda a vida do fundo permite ao administrador fiduciário e ao gestor antecipar potenciais impactos sobre a carteira antes que se traduzam em inadimplência efetiva. Ferramentas de monitoramento por satélite, já incorporadas por administradores fiduciários especializados em outras frentes de acompanhamento agrícola, têm ampliado a capacidade de identificar, com antecedência, variações relevantes nas condições de uma safra financiada por recebíveis que compõem a carteira de um fundo.

Instrumentos de proteção contra risco climático, como contratos de seguro agrícola vinculados diretamente ao recebível financiado, também têm ganhado espaço na estruturação de operações mais sofisticadas de Fiagro-FIDC, funcionando como uma camada adicional de mitigação sobre o risco de frustração de safra. Quando presente, esse tipo de proteção reduz a dependência exclusiva da diversificação geográfica como ferramenta de mitigação, ainda que amplie a complexidade da estrutura e exija do administrador fiduciário um acompanhamento mais próximo das condições contratuais de cada apólice vinculada à operação.

A ID CTVM, que reúne mais de 550 fundos sob administração fiduciária, tem ampliado sua atuação na estruturação e no acompanhamento de risco de Fiagros, aplicando a esse tipo de veículo processos de auditoria de lastro adaptados às particularidades climáticas e de mercado que caracterizam o financiamento estruturado do agronegócio brasileiro.

Perspectivas para a gestão de risco no crédito estruturado do agronegócio

Com o agronegócio brasileiro ampliando sua dependência do mercado de capitais como fonte de financiamento, a tendência é que administradores fiduciários e gestoras especializados em Fiagros sigam aprimorando suas ferramentas de gestão de risco climático e de preço, incorporando tecnologias de monitoramento cada vez mais sofisticadas ao processo tradicional de auditoria de lastro. Para investidores institucionais que avaliam esse tipo de estrutura, entender como esses riscos específicos são identificados e mitigados tende a se tornar um critério cada vez mais relevante na decisão de alocação.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

Tag:ID CorretoraID CTVMRodrigo Balassiano
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