Conforme inicia e observa o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, um dos desafios mais preocupantes relacionados ao envelhecimento saudável não está necessariamente ligado ao surgimento de doenças, mas à redução gradual da movimentação no dia a dia. Muitas vezes, esse processo acontece de forma silenciosa, sem chamar atenção imediata, até que seus impactos comecem a interferir na autonomia e na qualidade de vida.
O aumento da expectativa de vida representa uma conquista importante para a sociedade. No entanto, viver mais também exige estratégias que permitam preservar a capacidade funcional ao longo dos anos. Nesse contexto, especialistas têm observado um crescimento do sedentarismo entre idosos, um fenômeno que pode trazer consequências significativas para a saúde física e emocional. Embora fatores como idade e condições de saúde influenciem a rotina das pessoas, a redução da atividade física não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. Pelo contrário, compreender as razões por trás desse comportamento tornou-se uma etapa fundamental para promover mais qualidade de vida durante a terceira idade. Interessado em saber mais sobre? Confira, a seguir.
Por que a movimentação diminui com o avanço da idade?
O envelhecimento traz mudanças naturais que podem influenciar a disposição e a capacidade física. Alterações musculares, dores articulares, doenças crônicas e limitações de mobilidade podem tornar algumas atividades mais difíceis do que eram em fases anteriores da vida. Como resultado, muitos idosos acabam reduzindo gradualmente o nível de movimentação sem perceber que esse comportamento pode acelerar outras perdas funcionais.
Além disso, fatores sociais também exercem influência importante. A aposentadoria, a diminuição dos compromissos diários e até mesmo a redução das interações sociais podem contribuir para uma rotina mais sedentária. Segundo Yuri Silva Portela, quando a movimentação deixa de fazer parte das atividades cotidianas, o organismo tende a perder capacidade funcional de forma mais acelerada, o que pode impactar diretamente a independência e o bem-estar.
Como o sedentarismo afeta o envelhecimento saudável?
A atividade física está relacionada a diversos aspectos da saúde que vão além do condicionamento físico. Manter o corpo em movimento contribui para a preservação da força muscular, do equilíbrio, da mobilidade e da resistência, fatores essenciais para que o idoso consiga realizar tarefas do cotidiano com segurança e autonomia.
Por outro lado, a inatividade prolongada pode favorecer a perda de massa muscular, aumentar o risco de quedas e dificultar atividades simples, como caminhar, subir escadas ou carregar pequenos objetos. Yuri Silva Portela explica que preservar a capacidade funcional tornou-se uma das principais prioridades da medicina voltada ao envelhecimento, justamente porque ela está diretamente associada à qualidade de vida.
A falta de movimento também impacta a saúde emocional?
Quando se fala em atividade física para idosos, é comum que a atenção esteja voltada apenas para os benefícios corporais. Porém, permanecer ativo também pode gerar impactos positivos na saúde emocional, contribuindo para o bem-estar, para a autoestima e para a manutenção dos vínculos sociais.

Ao mesmo tempo, a inatividade pode favorecer o isolamento e reduzir oportunidades de convivência. Caminhadas em grupo, atividades comunitárias e práticas realizadas em ambientes coletivos costumam estimular a interação entre pessoas, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Nesse sentido, Yuri Silva Portela frisa que o envelhecimento saudável envolve uma combinação de fatores físicos, emocionais e sociais que precisam ser considerados de forma integrada.
O que pode ajudar os idosos a manter uma rotina mais ativa?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, permanecer ativo não significa necessariamente praticar exercícios intensos ou participar de atividades esportivas complexas. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina já podem contribuir para aumentar o nível de movimentação e reduzir os efeitos do sedentarismo.
Atividades compatíveis com a condição física de cada indivíduo, caminhadas regulares, exercícios orientados e até tarefas cotidianas realizadas com segurança podem fazer diferença ao longo do tempo. O doutor Yuri Silva Portela ainda transmite que o mais importante é compreender que o movimento deve ser encarado como parte do cuidado com a saúde, respeitando sempre as características e necessidades de cada pessoa.
O movimento é um dos pilares da longevidade!
À medida que a população envelhece, cresce também a necessidade de discutir estratégias capazes de preservar a autonomia e a qualidade de vida por mais tempo. Nesse cenário, combater a inatividade física tornou-se um desafio tão importante quanto prevenir doenças, já que a capacidade de se movimentar influencia diretamente a independência e o bem-estar dos idosos.
Por essa razão, o envelhecimento saudável não depende apenas de avanços médicos ou tratamentos específicos, conforme orienta o doutor Yuri Silva Portela, hábitos cotidianos continuam exercendo um papel decisivo na construção da longevidade. Entre eles, manter o corpo em movimento permanece como uma das atitudes mais importantes para quem deseja envelhecer com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez