Ativo opera perto de US$ 60 mil, ainda distante do recorde histórico de outubro de 2025, enquanto o mercado aguarda decisão do Federal Reserve no fim do mês.
O primeiro semestre de 2026 ficou marcado como um dos mais desafiadores da história recente do bitcoin. O ativo começou o ano cotado acima de US$ 93 mil, chegou a bater seu recorde histórico de US$ 126 mil em outubro de 2025 e, desde então, entrou em uma trajetória de queda que o levou a uma mínima de 21 meses, perto de US$ 58 mil, no fim de junho. A informação consta em análise publicada pelo portal crypto.news, que acompanha diariamente o comportamento do mercado de criptoativos.
O que chama atenção nessa correção, segundo especialistas consultados pela publicação, é a ausência de um problema interno ao setor cripto como gatilho. Diferentemente de quedas anteriores, como o colapso da stablecoin Terra em 2022 ou a quebra da corretora FTX meses depois, desta vez nenhuma exchange relevante quebrou e nenhuma stablecoin perdeu a paridade com o dólar. A queda atual tem origem quase exclusivamente em fatores externos ao universo cripto: a política de juros do Federal Reserve e a saída de recursos dos fundos negociados em bolsa, os ETFs, de bitcoin à vista.
Ainda segundo o crypto.news, o preço do bitcoin em 10 de julho estava próximo de US$ 64,3 mil, cerca de US$ 51,7 mil abaixo do valor registrado um ano antes, de acordo com dados publicados pela revista Fortune. Essa comparação ajuda a dimensionar o tamanho da correção em curso, já que o ativo segue operando bem distante do patamar observado em meados de 2025, mesmo depois de sucessivas tentativas de recuperação ao longo das últimas semanas.
O papel do Federal Reserve na trajetória recente do preço
A ligação entre decisões do banco central americano e o preço do bitcoin ficou evidente logo no início do ano. Em sua primeira reunião à frente do Fed, o novo presidente da instituição manteve os juros estáveis e retirou do radar o corte que o mercado já havia precificado para 2026. Segundo o crypto.news, nove dos dezoito integrantes do Fed que enviam projeções passaram a esperar uma alta de juros em vez de um corte, o que provocou forte realocação de capital para fora de ativos de risco, entre eles o bitcoin.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que o bitcoin, mesmo sendo um ativo digital descentralizado, reage tão diretamente a decisões de política monetária americana. Quando o retorno de títulos considerados seguros, como os do Tesouro americano, sobe, o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga juros também aumenta, o que tende a afastar parte dos investidores institucionais. Parte do capital que saiu do bitcoin neste ano migrou para ações ligadas a inteligência artificial e para o próprio dólar, segundo a mesma análise.
Outro fator que pesou sobre o preço foi o comportamento dos ETFs de bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos. Dados citados pelo mesmo veículo mostram que investidores retiraram cerca de US$ 4,5 bilhões desses fundos somente em junho, o pior mês desde o lançamento dos produtos no início de 2024. Esse volume de saídas colocou o saldo acumulado do ano em território negativo pela primeira vez, revertendo boa parte do otimismo institucional que havia marcado 2025.
O que esperar da reunião do Fed no fim de julho
O mês de julho tende a ser decidido em grande parte pela reunião do Federal Reserve marcada para os dias 28 e 29. Como o atual presidente da instituição deixou de sinalizar antecipadamente seus próximos passos, e não haverá um novo conjunto de projeções oficiais antes de setembro, o mercado chega a esse encontro com poucas referências para se orientar. O dado de inflação de meados de julho passa a ser, por isso, um dos principais termômetros: uma leitura mais fraca pode reabrir espaço para o Fed voltar a falar em corte de juros ainda este ano, enquanto um número mais quente reforça a tese de juros altos por mais tempo.
Do ponto de vista técnico, analistas citados pelo crypto.news apontam a região de US$ 58 mil como o principal suporte a ser observado, com um rompimento para baixo abrindo caminho para a faixa entre US$ 50 mil e US$ 53 mil. Já uma recuperação teria pela frente a média móvel de 50 meses, próxima de US$ 65,6 mil, como primeira resistência relevante, ainda distante da média de 100 meses, perto de US$ 40 mil, que mantém a estrutura de longo prazo do ativo preservada mesmo durante a fraqueza recente.
O volume de contratos em aberto no mercado futuro também caiu de forma expressiva nas últimas semanas, para cerca de US$ 46,5 bilhões, segundo a mesma fonte, o que indica menos alavancagem em circulação. Na leitura de parte dos especialistas, um mercado com menos alavancagem tem menor risco de liquidações em cascata, o que reduziria a chance de quedas bruscas motivadas apenas por mecânica de mercado, ainda que um gatilho fundamental novo, como uma decisão inesperada do Fed, continue capaz de mover o preço com força.
Vale reforçar que previsões de preço de curto prazo envolvem alto grau de incerteza e este texto não deve ser interpretado como recomendação de compra ou venda. O bitcoin segue sendo um ativo de alta volatilidade, influenciado tanto por fatores internos ao mercado cripto quanto por decisões de política monetária tomadas fora dele, e qualquer decisão de investimento exige avaliação cuidadosa do perfil de risco de cada pessoa.
Fontes: crypto.news | Fortune