Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, ex-presidente da OAS e CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, acompanha um momento em que a construção civil vem direcionando cada vez mais atenção para a recuperação estrutural. O tema, antes associado apenas a intervenções emergenciais, passou a integrar estratégias de longo prazo voltadas à segurança, à sustentabilidade e à ampliação da vida útil de edificações e obras de infraestrutura.
Essa transformação acompanha uma mudança importante no setor. Em vez de priorizar exclusivamente novas construções, empresas e especialistas têm concentrado esforços em preservar ativos existentes, utilizando tecnologias capazes de identificar problemas com maior precisão e reduzir custos de manutenção ao longo dos anos.
Com o avanço de ferramentas digitais e novos materiais, a recuperação estrutural tornou-se um dos segmentos mais dinâmicos da engenharia contemporânea.
Por que a recuperação estrutural deixou de ser apenas uma solução corretiva?
Durante décadas, a recuperação estrutural era acionada principalmente quando os danos já estavam visíveis. Hoje, a lógica mudou. O conceito de manutenção preventiva passou a ganhar espaço em condomínios, indústrias, pontes e grandes empreendimentos urbanos.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim observa que essa mudança acompanha uma tendência global de valorização da durabilidade das estruturas. Em muitos casos, intervenções planejadas conseguem evitar gastos significativamente maiores no futuro.
Além do aspecto econômico, existe uma preocupação crescente com a sustentabilidade. Recuperar uma estrutura pode representar menor consumo de matéria-prima, redução da geração de resíduos e diminuição da pegada de carbono associada à construção.
Essa visão mais ampla tem levado a engenharia a incorporar conceitos ligados à economia circular e ao uso racional dos recursos.
Como a tecnologia está mudando os processos de diagnóstico?
Uma das maiores revoluções recentes está relacionada ao monitoramento das estruturas. Sensores, drones, modelagem digital e sistemas de inspeção automatizada vêm permitindo análises muito mais detalhadas do que aquelas realizadas apenas por métodos tradicionais.
O uso do BIM, por exemplo, possibilita criar modelos digitais capazes de reunir informações sobre desempenho, manutenção e histórico das edificações. Isso facilita a tomada de decisão e contribui para intervenções mais assertivas.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim frisa que a inteligência artificial, imagens de alta resolução e softwares especializados vêm ampliando a capacidade de prever falhas antes que elas comprometam a segurança das estruturas.

A tendência é que essas soluções se tornem cada vez mais acessíveis nos próximos anos, inclusive em projetos de médio porte.
Novos materiais estão ampliando a vida útil das construções
A evolução dos materiais também têm desempenhado um papel importante na recuperação estrutural. Argamassas especiais, fibras de carbono, compósitos avançados e produtos de alta resistência vêm oferecendo alternativas mais eficientes para reforços e reabilitações.
Essas soluções apresentam vantagens como menor tempo de execução, redução de interferências na operação dos empreendimentos e maior desempenho em ambientes sujeitos a condições severas.
Na prática, isso significa que muitas estruturas podem receber melhorias importantes sem a necessidade de substituições completas, tornando os projetos mais econômicos e sustentáveis.
Quais são os desafios que ainda exigem atenção?
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas apontam que a cultura da manutenção preventiva ainda enfrenta obstáculos. Muitos proprietários e gestores tendem a adiar inspeções ou priorizar intervenções apenas quando surgem problemas mais evidentes.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que a conscientização sobre a importância do acompanhamento técnico contínuo representa um dos principais desafios da construção civil contemporânea.
Outro ponto relevante está relacionado à capacitação profissional. À medida que novas tecnologias chegam ao mercado, cresce a necessidade de equipes preparadas para operar ferramentas digitais e aplicar metodologias mais avançadas.
Esse movimento vem redefinindo competências e exigindo atualização constante por parte dos profissionais da engenharia.
O futuro da construção civil passa pela preservação dos ativos existentes
A recuperação estrutural tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. O crescimento das cidades, a necessidade de otimizar recursos e a busca por soluções sustentáveis devem ampliar os investimentos em manutenção e reabilitação de estruturas.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim participa de discussões relacionadas a um setor que vem deixando para trás a lógica exclusivamente reativa. Em seu lugar, surge uma engenharia mais conectada à tecnologia, à eficiência e à gestão inteligente dos ativos.
Em um cenário de crescente preocupação com sustentabilidade e desempenho, preservar estruturas existentes pode se tornar tão estratégico quanto construir novas obras, consolidando uma mudança que já começa a redefinir o futuro da infraestrutura.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez