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Economia

Bitcoin começa setembro perto de US$ 78 mil após melhor agosto desde 2017

Elisa Bellvani
Elisa Bellvani 1 de setembro de 2026
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12 Min de leitura
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Maior criptomoeda do mundo avançou cerca de 25% em agosto, sustentada por forte procura institucional e bilhões de dólares direcionados aos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos; mercado agora acompanha juros americanos e a capacidade do BTC de superar a região dos US$ 80 mil.

Contents
Bitcoin avança cerca de 25% em agostoETFs voltam a atrair bilhões de dólaresDemanda à vista ajuda a sustentar recuperaçãoLiquidação de vendidos acelerou movimentoUS$ 80 mil torna-se barreira importanteRegião de US$ 75 mil ganha importância como suporteFederal Reserve volta ao centro das atençõesPetróleo adiciona pressão aos mercadosMercado de trabalho dos EUA será próximo testeSetembro possui histórico difícil para o BitcoinInstitucionais podem determinar direção do mercadoBitcoin inicia setembro diante de teste decisivoFontes:

O Bitcoin começou setembro de 2026 mantendo grande parte da forte valorização acumulada durante agosto. Nesta terça-feira, 1º de setembro, a principal criptomoeda do mercado era negociada na região dos US$ 78 mil, depois de encerrar um dos meses mais positivos de sua história recente e voltar a atrair grandes volumes de capital institucional.

Durante agosto, o Bitcoin avançou aproximadamente 25%. O desempenho representou o melhor resultado da criptomoeda para o mês de agosto desde 2017 e também seu maior ganho mensal desde novembro de 2024. A recuperação foi suficiente para levar o ativo novamente acima dos US$ 80 mil em determinados momentos, embora o BTC tenha perdido parte desse avanço na virada para setembro.

O início do novo mês, portanto, coloca investidores diante de uma combinação pouco comum: de um lado, forte procura por Bitcoin e recuperação dos fluxos institucionais; do outro, aumento das expectativas de juros nos Estados Unidos, valorização do petróleo e maior tensão nos mercados internacionais.

Bitcoin avança cerca de 25% em agosto

A valorização de agosto representou uma mudança significativa em relação ao comportamento apresentado pela criptomoeda anteriormente. O Bitcoin chegou a negociar na região dos US$ 62 mil a US$ 64 mil no começo do mês antes de iniciar uma recuperação acelerada.

Nas semanas seguintes, o movimento ganhou força e levou a cotação para além dos US$ 80 mil. O BTC chegou brevemente acima de US$ 81 mil antes de encontrar resistência e recuar para a região dos US$ 78 mil a US$ 79 mil no fechamento do período.

O avanço mensal de aproximadamente 25% transformou agosto de 2026 no melhor agosto do Bitcoin em nove anos. Foi também a primeira vez em cinco anos que a criptomoeda terminou agosto no campo positivo.

ETFs voltam a atrair bilhões de dólares

Um dos elementos mais importantes por trás da recuperação foi o retorno do dinheiro institucional aos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos.

Dados acompanhados pelo mercado apontam aproximadamente US$ 3 bilhões a US$ 3,5 bilhões em entradas líquidas durante agosto, dependendo da metodologia e do período considerados. O volume colocou o mês entre os mais fortes para esses produtos desde o final de 2025.

Os ETFs permitem que investidores obtenham exposição ao preço do Bitcoin através do mercado financeiro tradicional, sem necessariamente comprar e armazenar diretamente a criptomoeda. Por isso, seus fluxos passaram a funcionar como um dos principais indicadores da procura institucional por BTC.

Demanda à vista ajuda a sustentar recuperação

Outro fator observado pelos analistas é que a valorização não parece ter sido impulsionada exclusivamente por posições altamente alavancadas no mercado de derivativos.

O interesse aberto nos contratos futuros permanece abaixo dos máximos anteriores, enquanto os ETFs apresentaram entradas expressivas. Essa combinação sugere participação relevante da procura no mercado à vista.

Isso é importante porque movimentos excessivamente dependentes de alavancagem podem sofrer correções rápidas quando investidores começam a liquidar posições. Uma participação maior do mercado à vista tende a produzir uma estrutura diferente para a valorização.

Liquidação de vendidos acelerou movimento

Isso não significa que os derivativos tenham ficado fora da recuperação. A rápida subida do Bitcoin também provocou uma grande liquidação de posições que apostavam na queda da criptomoeda.

Quando o preço sobe rapidamente, investidores que mantêm posições vendidas e alavancadas podem ser obrigados a recomprar o ativo para encerrar essas operações. Esse processo adiciona ainda mais procura ao mercado e pode acelerar uma valorização que já estava em andamento.

Estimativas acompanhadas por gestores do setor apontam aproximadamente US$ 1,4 bilhão em posições vendidas de Bitcoin liquidadas durante o movimento de agosto.

US$ 80 mil torna-se barreira importante

Apesar do desempenho positivo, o Bitcoin ainda enfrenta dificuldade para permanecer acima dos US$ 80 mil.

O ativo ultrapassou temporariamente esse patamar durante a recuperação, mas encontrou vendedores na região entre aproximadamente US$ 80 mil e US$ 82 mil.

Analistas acompanham especialmente a faixa de US$ 81 mil a US$ 82 mil. Uma ruptura sustentada poderia reforçar a interpretação de que o Bitcoin iniciou uma nova tendência de recuperação, enquanto novas rejeições manteriam o ativo dentro da atual faixa de consolidação.

Região de US$ 75 mil ganha importância como suporte

Na direção oposta, aproximadamente US$ 75 mil aparece como uma das principais regiões acompanhadas pelos operadores.

O Bitcoin conseguiu preservar grande parte do avanço de agosto mesmo depois de perder os US$ 80 mil, comportamento considerado relevante por participantes do mercado.

Uma queda consistente abaixo de US$ 75 mil poderia enfraquecer essa estrutura. Já a manutenção entre aproximadamente US$ 76 mil e US$ 78 mil ajudaria a preservar a maior parte da recuperação construída no mês anterior.

Federal Reserve volta ao centro das atenções

A trajetória do Bitcoin em setembro também dependerá significativamente da política monetária americana.

Investidores aumentaram as apostas numa possível subida dos juros pelo Federal Reserve na reunião marcada para meados de setembro. Taxas mais elevadas podem tornar títulos americanos mais atraentes e reduzir o interesse por ativos considerados de maior risco.

Nesta terça-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos estava próximo de 4,8%, enquanto o mercado atribuía probabilidade elevada a uma subida dos juros na reunião de setembro.

Esse ambiente ajuda a explicar por que o Bitcoin encontrou dificuldades para continuar avançando imediatamente depois da forte valorização de agosto.

Petróleo adiciona pressão aos mercados

O mercado também acompanha a valorização do petróleo e o aumento das tensões geopolíticas internacionais.

O Brent voltou para a região dos US$ 90 por barril, alimentando preocupações relacionadas com inflação. Energia mais cara pode dificultar o trabalho dos bancos centrais e aumentar a possibilidade de manutenção de políticas monetárias restritivas.

Para o Bitcoin, o cenário cria forças opostas. A criptomoeda pode beneficiar-se da procura por ativos alternativos em períodos de incerteza monetária, mas também pode sofrer quando investidores reduzem exposição a ativos de risco.

Mercado de trabalho dos EUA será próximo teste

Antes da decisão do Federal Reserve, os investidores acompanharão os novos dados sobre o mercado de trabalho americano.

O relatório de empregos de agosto será particularmente importante porque representa uma das últimas grandes informações económicas disponíveis antes da reunião do banco central.

Um mercado de trabalho muito forte poderia aumentar a pressão por juros mais altos, elevando os rendimentos dos títulos e potencialmente prejudicando o Bitcoin. Dados mais fracos, por outro lado, poderiam diminuir as expectativas de aperto monetário.

Setembro possui histórico difícil para o Bitcoin

Além das questões macroeconómicas, existe um componente sazonal que chama a atenção dos investidores.

Historicamente, setembro apresentou diversos períodos negativos para o Bitcoin, originando entre operadores a expressão “Red September”. Isso não significa que a criptomoeda necessariamente cairá neste mês, mas o histórico aumenta a cautela depois de uma valorização tão rápida.

O desempenho de agosto torna o cenário ainda mais interessante. Depois de avançar cerca de 25% num único mês, investidores precisam decidir se a recuperação possui força suficiente para continuar ou se parte dos ganhos será realizada.

Institucionais podem determinar direção do mercado

A continuidade das entradas nos ETFs será um dos principais indicadores para responder a essa questão.

Se investidores institucionais continuarem direcionando bilhões de dólares para produtos ligados ao Bitcoin, a procura poderá ajudar a absorver eventuais vendas e sustentar preços mais elevados.

Por outro lado, uma reversão prolongada dos fluxos poderia retirar um dos principais suportes observados durante agosto. Depois de uma sequência positiva, o mercado já registrou um dia de saída líquida no fim do mês, aumentando a atenção sobre os próximos números.

Bitcoin inicia setembro diante de teste decisivo

O cenário deste 1º de setembro é bastante diferente daquele observado no início de agosto. O Bitcoin recuperou dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado, voltou a superar temporariamente os US$ 80 mil e recebeu bilhões de dólares através dos ETFs americanos.

Agora, entretanto, o desafio passa a ser preservar esses ganhos.

A região de US$ 75 mil a US$ 78 mil aparece como importante área de sustentação, enquanto US$ 81 mil a US$ 82 mil representa a principal resistência de curto prazo acompanhada pelo mercado.

Depois do melhor agosto desde 2017, setembro começa como um teste para saber se o movimento representou apenas uma recuperação rápida ou o início de uma tendência mais duradoura. Com Bitcoin perto de US$ 78 mil, ETFs novamente relevantes e o Federal Reserve no centro das atenções, as próximas semanas deverão ser decisivas para definir a direção da maior criptomoeda do mundo.

Os dados mais recentes confirmam o BTC na região de US$ 78 mil nesta terça-feira e uma valorização de aproximadamente 24% a 25% em agosto. (The Block) Já a 21Shares calcula US$ 3,05 bilhões em entradas nos ETFs durante agosto, enquanto dados da SoSoValue citados pelo Yahoo Finance apontam US$ 3,52 bilhões. (21Shares)

Fontes:

The Block — Bitcoin inicia setembro perto de US$ 78 mil

CoinDesk — Bitcoin se mantém acima dos US$ 78 mil

21Shares — análise do Bitcoin após a recuperação de agosto

Yahoo Finance — melhor agosto do Bitcoin desde 2017 e fluxos dos ETFs

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